Tomando novos rumos…

Teoria da Agenda-Setting

Junho 24, 2009 · 1 Comentário

Ah, com certeza todas as pessoas que estudaram Jornalismo vão se lembrar da tal da Agenda-Setting, aquela teoria que diz que a agenda dos meios condiciona a opinião pública. Se não me falha a memória, essa teoria foi criada por McCombs e Shaw em 1968. Depois de muitas contestações e mudanças de paradigmas, a Agenda-Setting continua gerando frutos na área da Comunicação.

E quem diria que um belo dia eu, Flávia, pudesse ver cara-a-cara um desses teóricos! Está certo que não sou muito de Agenda-Setting (análise de conteúdo é bom, mas cansa!). No entanto, é impossível deixar de lado a oportunidade de conhecer o autor de tantos artigos e livros que tivemos que ler quando estávamos na graduação e agora outra vez, fazendo mestrado.

Segunda-feira, dia 22 de junho, a universidade onde estudo deu lugar à conferência “The Agenda-Setting Role of The Media”, com Maxwell McCombs. Cheguei antes para pegar um bom lugar e encontrei com uma das minhas professoras do mestrado conversando com um senhor com o cabelo todo branco, vestido com uma camisa branca, gravata e calça social marrom claro. De repente, minha professora me chama e diz: “Flávia, vem aqui. Quero que conheça McCombs”.

Numa fração de segundo, trilhões de coisas passaram pela minha cabeça. Lembrei do Edson Spentoff explicando a teoria da Agenda-Setting quando estávamos no quarto ano de Jornalismo; lembrei do Joãomar contando histórias de quando esteve com Mattelart, na França; pensei no privilégio de poder conhecer um teórico tão importante e, enquanto as pernas se endireitavam, fui tratando de levantar da cadeira onde estava sentada e caminhei em direção a ele. Segurei sua mão e, olhando pra baixo, sem saber muito bem o que dizer, saiu um “nice to meet you” super tímido. Ele me respondeu todo cordial e minha professora tratou de dizer quem eu era. Ele disse que era um prazer receber alunos do mestrado em sua conferência. Mal sabia ele que o prazer era inteiramente nosso!

A platéia era basicamente de professores. McCombs falou em inglês, de uma maneira muito clara e simples para que todos pudéssemos entender perfeitamente suas palavras. Foram 40min que passaram rapidíssimo e ele mesmo propôs que lhe fizéssemos perguntas sobre as dúvidas que tivéssemos. Bom, como sempre, a primera pergunta do debate custa sair, mas um aluno do doutorado quebrou o gelo e perguntou se ele acreditava que a teoria ainda era válida depois de tantos anos. Ele disse que já questiona alguns aspectos que considera superados, mas que a essência continua motivando novas pesquisas que mantêm viva a teoria.

“Alguém quer fazer alguma outra pergunta?” E eu pensava: “tenho que perguntar, tenho que pergutar, não posso perder essa oportunidade”. Enquanto isso, nenhum professor queria se arriscar a arranhar um pouco o inglês enferrujado para falar com o palestrante. “Já sei!”, pensei. E levantei a mão. Comentei que quando estávamos no mestrado, tivemos que ler muitos artigos seus (ele achou divertido!) e que, mesmo assim, não havia entendido qual é a diferença entre o segundo nível da Agenda-Setting e a teoria Framing.  De maneira muito rápida e prática, me disse que em 99% dos casos, é a mesma coisa. Deu alguns exemplos de pesquisadores que tentam estabelecer diferenças entre os dois, mas que, no fim das contas, não conseguem nada mais que comprovar que são a mesma teoria.

Depois de mim, ninguém mais quis arriscar a fazer uma pergunta e deram por finalizada a conferência. Dois professores foram falar com McCombs e, enquando eu recolhia minhas coisas, ele mesmo, em pessoa, veio falar comigo para explicar com mais exemplos o que me havia respondido. Um amor de pessoa! E a gente pensa que os grandes teóricos são todos inacessíveis, né? Pode até ser que a maioria seja mesmo como a gente pensa, mas McCombs provou que ser um teórico conhecido mundialmente e ser simpático e humilde são coisas absolutamente compatíveis.

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A Casa dos Espíritos

Junho 22, 2009 · Deixe um comentário

Já sei que é uma história antiga, escrita por Isabel Allende em 1982, mas é algo que convém recordar sempre que possível.

Semana passada li o livro, alguns anos depois de ver o filme (The House of the Spirits, 1993). A saga da família Trueba, que começa com a união entre Trueba e Del Valle, acaba com uma tragédia muito bem contextualizada histórico e politicamente pela filha de Salvador Allende.

Para todos os que viram o filme - e também para aqueles que ainda não o viram – recomendo a leitura do livro. Embora esteja dividido em duas grandes partes, Isabel escreve de uma maneira tão fluente que a leitura se torna bastante suave.

Comentei com uma amiga que gostei muito do filme quando o vi e ela me disse que não o veria novamente por causa dos espíritos. “Fiquei com muito medo”, disse. Bobagem! A casa grande da esquina (ou a casa dos Trueba) é onde os espíritos da época se comunicam e desenvolvem a parte romântica da história. Porém, o mais importante é a verdadeira história do golpe militar no Chile, as consequêcias drásticas das torturas, das famílias que nunca tiveram notícias dos seus filhos, sobrinhos, netos… Uma realidade que a América Latina viveu e protagonizou durante muitos anos.

Depois de ter lido o livro, que conta com muito mais detalhes as experiências das três gerações – Clara, Branca e Alba -, me pergunto: como pode existir tanta gente que ainda acredita que a ditadura militar é a melhor forma de governo para um país? Como? Não entendo… Como podem acreditar que a melhor alternativa para o povo é estar em mãos de militares despreparados emocional, intelectual e psicologicamente, privando a todas as pessoas de assumirem seus papéis de cidadãos e exercerem com liberdade a sua inteligência e criatividade?

Leiam o livro. Vale à pena. Não se trata da história do povo chileno. À medida que avançamos página por página, nos sentimos mais parte da história. O que sofreram eles foi o que sofreram nossos pais, nossos avós e tanta gente de tantos países. Uma história coletiva de absurdos, de trevas, de incompreensão e de injustiça. Sobre tudo isso é preciso ler e passar adiante para que ninguém se esqueça do horror que representa uma ditadura. Como diria o respeitável teórico da comunicação Theodor Adorno, quando se referia aos campos de concentração durante a Segunda Guerra: é preciso falar, comentar, estudar, ler, ensinar, ter contato com a experiência que tanta gente viveu naquela época, porque o esquecimento faria com que repetíssemos os mesmos erros do passado. “Que Awschvitz não se repita”… Jamais!

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Vida de doutoranda: quarta parte

Junho 18, 2009 · Deixe um comentário

Uma das partes mais importantes da tese é o marco teórico. Para dizer que uma coisa é assim e não de outra maneira, é preciso justificar quinhentas vezes. Nesta parte do trabalho, nada pode sair da nossa boca sem que exista um embasamento teórico que sustenta o que estamos defendendo. É a parte mais trabalhosa, porque é extremamente teórica e depende de todas as leituras possíveis e imagináveis. Leva tempo e paciência.

Na hora de escolher os livros e artigos que farão parte do marco teórico, é super importante ver as datas de publicação. Quanto mais recentes, melhor, embora também seja necessário citar os clássicos. Afinal, clássicos são clássicos e nunca vão deixar de ser. Se uma pessoa faz um doutorado em “x”, sobre esse tema “x” deverá conhecer os clássicos e, ao mesmo tempo, o que há de mais recente.

Estou nesse ponto da investigação. Haja artigos! Às vezes a gente tem que ler um monte de páginas para conseguir uma citaçãozinha de meia linha. Fazer o quê? É parte do trabalho e a bibliografia da tese deve ser respeitável.

Como sabemos que já temos um bom embasamento teórico? Boa pergunta. Meu orientador disse que é quando as teorías que estamos lendo começam a repetir conceitos e já não aportam nada novo. Espero que essa parte chegue logo!!!

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Vida de doutoranda: terceira parte

Maio 25, 2009 · 1 Comentário

Uma coisa muito importante e que é talvez a primeira que devemos levar em consideração na hora de fazer um doutorado: qual será minha fonte de financiamento enquanto eu estiver fazendo a pesquisa e escrevendo a tese? De estudos, não se vive. A própria pesquisa implica em gastos. Temos que imprimir um monte de textos, xerocar artigos, comprar livros, etc. Por mais que a gente estude numa universidade pública, vai ter que gastar din-din, não tem escapatória.

Evidentemente, o ideal seria conseguir uma bolsa de estudos, daquelas que depositam todo mês uma quantia “x” de dinheiro na conta e nos proporciona uma vida digna sem ter que trabalhar. Dedicação integral à tese significa defensa em menos tempo. Mas isso é para uma minoria privilegiada, da qual não faço parte. No meu caso, tenho que trabalhar para conseguir o financiamento para a pesquisa. Uma alternativa prática, pela qual eu optei, é trabalhar dentro da própria universidade. Estar perto da biblioteca, como é o meu caso, motiva a gente a ter mais contato com a bibliografia que estamos buscando.

É bom ficar atento em todas as oportunidades de bolsa de trabalho ou de pesquisa dentro da uni. Quando não temos uma super bolsa de estudos, o jeito que tem é trabalhar. E esse é o momento de tentar manter contato com os professores, conhecer como funciona o departamento ao que estamos vinculados e, quem sabe, publicar algum artigo com o orientador. Currículo! Quanto mais diverso, melhor.

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Vida de doutoranda: segunda parte

Maio 19, 2009 · Deixe um comentário

Tem que ler muito. Sim, isso é verdade. Mas ler sobre quê? Mmm… Digamos que essa parte é uma das mais complicadas: definir o tema da tese. Deve ser uma proposta de estudo original. Das duas, uma: ou a gente parte de uma nova perspectiva de um tema bastante estudado, ou procuramos algo pouquíssimo estudado. No primeiro caso, é mais difícil ser original, mas pelo menos encontramos muita bibliografia sobre o assunto. No segundo caso, é muito mais fácil ser original, mas a escassa bibliografia pode ser uma grande limitação para a pesquisa.

A melhor forma de decidir qual vai ser o tema da tese é buscar leituras sobre aquilo que a gente gosta de estudar. No meu caso, gosto de ler coisas sobre comunicação e internet. Então, para definir o tema (que ainda não sei direito qual vai ser!), estou lendo todas as novidades sobre comunicação através da internet, blogs, flogs, etc. São temas relativamente novos, mas já tem muito escrito sobre isso. Copio um trecho daqui, um trecho dali, vou remendando tudo o que tenho, como se fosse uma colcha de retalhos, até que começa a fazer sentido.

Meu orientador foi quem sugeriu que eu fizesse dessa forma, como se fosse escrever um trabalho descritivo, tipo: “como é a comunicação na internet?”. O tema da tese não vai ser esse, mas é só até achar o fio da miada. O orientador exerce um papel fundamental nesse período de decisão e é preciso saber escolher bem o professor que vai nos acompanhar na trajetória do doutorado. Deve ser uma pessoa acessível, que demonstre domínio do tema que a gente gosta e que tenha boa relação com os demais professores e administradores da universidade. Deu pra perceber que não pode ser qualquer pessoa, né? Nesse sentido, tive muita sorte ao escolher um excelente orientador.

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Festas de San Isidro

Maio 18, 2009 · Deixe um comentário

San Isidro é o padroeiro de Madrid. Bom, da cidade de Madrid, capital da província (como São Paulo, São Paulo). Normalmente as festas são só na capital, mas este ano as prefeituras das demais cidades da província decidiram aderir às comemorações e fizeram uma programação bastante interessante.

Dia 15 de maio, dia de San Isidro, é motivo de muita festa e de resgate cultural para os madrileños. Pela primeira vez, fui a uma “Zarzuela”, uma opereta espanhola, geralmente cômica, baseada em temas culturais da Espanha dos séculos XIX e XX. Super divertido! Fui também a umas apresentações de dança folclórica, com roupas e instrumentos típicos. Uma maravilha! De todas as danças regionais que vi,  Galícia foi a que mais me surpreendeu.

Domingo é dia de “banda no coreto do jardim”. Aqui, no coreto do Parque do Retiro. A orquestra municipal de Madrid tocou durante quase duas horas inúmeras peças folclóricas, representando a cultura de Madrid e da Espanha. O ritmo mais popular, chamado “paso doble”, foi o personagem principal da apresentação.

À meia-noite, para finalizar as comemorações de San Isidro, um show de fogos de artifício coordenados com música. Impressionante!

Tá certo que as leituras para a tese atrasaram um pouco neste fim de semana, mas também merecemos um pouco de cultura e diversão para refrescar a cabeça!

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Vida de doutoranda: primeira parte

Maio 14, 2009 · Deixe um comentário

Não é fácil. Tá, isso não é novidade. Mas, por outro lado, é bastante divertida a atividade de investigar. No fim das contas, é um trabalho gratificante (”demanding, challenging and rewarding job” para praticar um pouco de inglês!), quando a gente passa dias e dias procurando um livro ou um artigo que publicaram sobre um tema que a gente precisa ler e, no meio do caminho, vamos encontrando um monte de outros livros e artigos talvez mais interessantes que aqueles que procuramos.

Fazer doutorado é uma decisão que a gente precisa tomar sem pensar muito na trabalheira que isso vai gerar em nossas vidas. Não somos só nós, estudantes, que fazemos doutorado. A família, os amigos, o namorado (ou namorada) também, porque não é sempre que podemos sair para ver um filme, fazer compras, dar um passeio, viajar nos feriados prolongados, etc. Ou seja: doutorado é um sacrifício em conjunto.

Algo muito importante é saber idiomas. Querendo ou não, tem que saber inglês, porque os melhores artigos estão publicados em revistas anglo-saxônicas e não adianta ficar esperando que alguém tenha a boa vontade de traduzi-los, porque não podemos esperar. É uma corrida contra o tempo, senão o tema escolhido fica velho, ultrapassado, vence, mofa. E, enquanto estamos escrevendo a tese, com certeza existirá um monte de gente estudando temas mais atuais que os nossos.

Depois do inglês, vai depender de cada área de estudo. Em comunicação, é importante saber (ou pelo menos ler em) espanhol e francês. De francês não sei absolutamente nada, mas pra ler até que não é tão complicado. Ou seja: temos que nos virar para dar conta de ler muito em muito pouco tempo.

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Ese chico triste y solitario…

Maio 12, 2009 · Deixe um comentário

Tem coisas que são difíceis de explicar. Hoje de manhã, por volta das 9h30, estava indo à universidade com o Jose e sempre vamos escutando alguma rádio. Puseram uma música que me fez lembrar um cantor que Jose me disse que tinha problemas com drogas (lê-se heroína) e que sempre estava morre-não-morre. Claro, é que a música que puseram era dele. Embora eu nunca tivesse ouvido a tal canção, deu pra reconhecer o cantor espanhol pela voz. E olha que eu sou meio devagar para reconhecer vozes de cantores espanhóis.

Perguntei: “Esse cantor é o mesmo daquela música ‘La chica de ayer’”? E ele me disse que sim. Fiquei surpreendida com a minha façanha de tê-lo identificado. Continuo perguntando: “É aquele que você me disse que era viciado em heroína?”. Resposta: “Ele mesmo. Se chama Antonio Vega”. Não sei porque, mas me veio uma curiosidade muito grande de saber como era o rosto desse cantor, saber quem era o dono daquela voz e como era a vida que a heroína havia tomado conta.

Chegamos à uni e eu fui direto à biblioteca estudar um pouco. Fiz parte do que tinha que fazer e pensei em buscar no Google alguma foto do tal cantor. Mal sabia eu que hoje estavam colocando músicas dele na rádio porque ele havia falecido. Fiquei pensando: “Por que será que esse cantor me chamou a atenção justo hoje, data da sua morte?”. Tem coisas que a vã filosifia humana não explica.

O fato é que as drogas levaram mais um ídolo da juventude dos anos 80. “Ese chico triste y solitario”, como era conhecido Antonio Vega, morreu aos 51 anos, mas parecia que tinha uns 70. Até quando nossos heróis - como diria Cazuza - vão morrer por conta das drogas?

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“Si eres español… Tú primero”

Maio 11, 2009 · Deixe um comentário

Seguimos com o tema do nacionalismo. Não fico procurando frases cognitivamente limitadas como esta pelas ruas de Madrid. Elas simplesmeste cruzam o meu caminho e me obrigam a ler algo que realmente não acrescenta nada na minha vida (exceto ao blog!).

Frase do dia: “Si eres español… Tú primero”. Num país cheíssimo de imigrantes como Espanha, creio que esta frase, altamente propagada pela Frente Nacional (www.frentenacional.es) em outdoors pela província de Madrid não será bem vista. Ah, pelos nacionalistas radicais, sim. Com certeza. São os que apoiam esse tipo de manifestação.

Tá, não sou espanhola. Mas o que diriam dos espanhóis que emigraram a outros países? Na Argentina existe uma colônia imensa de espanhóis e em outros países hispanos também. Vamos ver se soa bem: “Si eres argentino… Tú primero”. Mmmm… Não mesmo!

Uma frase que as pessoas costumam dizer por aqui, principalmente aquelas que já foram vítimas do nacionalismo extremo, é que a melhor forma de curar um nacionalista é fazer como que ele viaje e conheça outros países. E é verdade. Assim deixam de olhar só para o próprio umbigo.

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Mas esses fulanos ainda existem?

Maio 5, 2009 · Deixe um comentário

Antes não existissem. Nesse ponto, estou totalmente de acordo com um dos jornalistas que apresenta um programa na Radio Nacional Espanhola, que uma vez disse que os jovens neo-nazi não têm a mínima idéia do que é ser um nazista. Não viveram o período da segunda guerra, não sentiram na pele a angústia, a incertidão, o sofrimento, a dor. Não têm nenhuma razão pela qual lutar. Não conhecem seus objetivos e não sabem o que defendem.

Menos mal que no Brasil, com tanta (bio)diversidade, somo um povo bastante tolerante. No geral, claro. Pelo menos eu, pessoalmente, nunca vi pixado num muro uma frase tão violenta como a que vi ontem, quando saí para dar um passeio pelo bairro onde moro, em Madrid. Um neo-nazi havia escrito com grandes e visíveis letras: “Los rumanos todos a la cámara de gas”. No nosso bom e velho português: todos os romenos à câmara de gas.

Está certo que existem muitos imigrantes do leste europeu na Espanha, mas nada justifica uma violência declarada como essa. Os últimos países que entraram na União Européia não são nenhum paraíso. Sofrem com a crise econômica, o desemprego, a corrupção, a desigualdade social, toda essa situação de terceiro mundo que conhecemos bem – embora estejam no primeiro mundo. E a imigração nada mais é que uma tentativa de melhora de vida e uma denúncia de que as coisas, em seus (nossos) países de origem não vão indo muito bem.

Si em vez de pixar o patrimônio público se dedicassem a pensar em soluções para os problemas espanhóis, com certeza esses fulanos neo-nazi dariam uma grande contribuição a este país.

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