Tomando novos rumos…

Entradas do Outubro 2007

WordPress bloqueado

Outubro 31, 2007 · 3 Comentários

Olá! Desculpem a demora para dar notícias, mas é que o WordPress foi bloqueado na biblioteca da universidade, onde tenho usado computadores para acessar à internet. Neste momento, estou numa lan house (que aqui se chama locutorio) para dizer que está tudo bem por aqui. Nao se preocupem! Sumi, mas foi somente por motivos técnicos.

Adianto que ainda nao consegui progressos muito grandes em relaçao ao NIE. Tenho hora marcada na comisaria para o dia 29 de novembro e nao há o que fazer senao esperar. Enquanto isso, nao posso arranjar trabalho legal. Ontem fui a uma entrevista para dar aulas de inglês em uma empresa, mas a primeira coisa que me pediram o que foi? Sim, o NIE.

Bom, de qualquer forma, o que importa é que todos os meus colegas de faculdade e até o pessoal com quem moro têm colaborado muitíssimo nessa minha saga pela documentaçao espanhola. Até o namorado de uma colega minha do mestrado me ligou para me passar algumas dicas. Ele é advogado e trabalha com causas de imigrantes.

Quanto ao Thiago, ah, o Thiago… Que saudade! Meu coraçao está apertadinho, mas o jeito que tem é esperar. Até porque, se eu nao conseguir renovar meu visto de estudante (tendo em vista que tenho que comprovar que há dinheiro suficiente em minha conta para me manter na Espanha durante seis meses sem trabalhar), o casamento com o italianinho do Thiago vai me manter legal aqui na Europa por outro tipo de visto. Se uma porta se fecha, abrem outras. E é assim que as coisas sao!

 Ah, eu contei da conta bancária? Consegui abri uma no Santander. É uma agência na Universidad Carlos III, aqui pertinho de casa, onde só pedem o passaporte e um comprovante de matrícula em alguma universidade espanhola. Isso eu tinha! Daí fui à minha universidade para pedir que me devolvessem o dinheiro das matérias que me matriculei a mais. É que como fiz tudo por internet, daí do Brasil, tinham coisas que eu nao sabia e que o site nao trazia informaçoes a respeito. Na verdade, eu teria que ter me matriculado para o curso 2007/2008, que corresponde a 10 matérias. Mas eu me matriculei para o curso de mestrado inteiro, que inclui 2008/2009, ou seja, 15 matérias. Como nao poderia deixar assim, porque a norma da universidade é que o aluno se matricule em no máximo 10 matérias de uma vez, pedi que corrigissem minha matrícula e me devolvessem o dinheiro relativo às 5 matérias do curso que vem. Só que a universidade tem até 5 anos para me devolver o dinheiro. Hahahahahaha! Tem que rir dessas coisas!

Segunda-feira tivemos uma novidade na sala de aula: um aluno brasileiro! Tenho um conterrâneo em classe! Ele veio de Brasília para acompanhar sua namorada, que ganhou bolsa de estudos aqui, e, enquanto isso, resolveu fazer o curso de mestrado na URJC. Que bom poder falar português pelo menos um pouquinho todos os dias!

Bom, pessoal, nao sei quando vou atualizar o blog de novo. Mas nao deixem de passar por aqui para comentar, porque fico muito contente ao ver um recadinho novo de vocês! Beijos para todos!

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A saga continua

Outubro 22, 2007 · 3 Comentários

Hoje levantei da cama bem cedinho. Ainda estava escuro… Nao, nao é a mesma história de sexta-feira, embora comece da mesma forma.

Fui à faculdade para ver se encontrava um departamento de relaçoes internacionais, como me indicou minha amiga Rafaela, que está em Barcelona fazendo mestrado há mais tempo que eu. Encontrei o tal departamento, mas o funcionário que me atendeu disse que nao sabia nada sobre Número de Identidad de Extranjero, o famoso NIE. Perguntei sobre Tarjeta de Estudiante Extranjero e ele tampouco sabia. O que me disse foi que, como sou aluna do mestrado, ele nao pode me ajudar. O trabalho que fazem aqui é apenas de intercâmbio para alunos da graduaçao. Sugeriu que eu entrasse em contato, por e-mail ou telefone, com uma ONG que auxilia cidadaos nao-espanhóis que vivem por aqui. Caso nao resolvessem nada, que eu procurasse a vice-reitoria de relaçoes internacionais no outro campus da universidade.

Pois bem. Como o telefone da ONG só dava ocupado – como 100% dos telefones indicados para infomaçao nessa cidade -, enviei-lhes um e-mail explicando minha situaçao. Neste exato momento faz seis horas que enviei o e-mail e ainda nao obtive resposta.

Saí do campus onde estudo e fui ao outro, rumo à vice-reitoria de relaçoes internacionais. Já na portaria me perguntaram o que eu queria e eu disse que precisava de um auxílio da universidade para conseguir meu NIE. A secretária ligou para alguém lá de dentro que disse a ela que nao poderia me ajudar, mas que eu fosse à coordenadoria dos cursos de mestrado, naquele mesmo prédio.

Subi ao terceiro andar e quem me atendeu foi um rapaz:

- Em que posso ajudar?

- Gostaria de saber se a universidade pode me ajudar no trâmite de obtençao do NIE.

- Como?

- NIE, Número de Identidad del Extranjero.

- Fale com aquela moça ao lado.

A moça estava falando ao telefone e eu esperei até que terminasse para pedir-lhe qualquer informaçao. Porém, ela também nao sabia o que era NIE. Nesse momento pensei que eu estava vivendo numa realidade paralela, onde as pessoas nao entendiam absolutamente nada do que eu dizia. Ela ainda tentou buscar informaçao com outros funcionários e um deles disse que eu teria que ir ao Ministério da Educaçao. Muito prestativa, ela me deu o endereço do Ministério e o nome da parada de metro onde eu deveria descer.

Anotei tudo direitinho, guardei o papel na minha bolsa e, saindo do prédio da reitoria, disse um belo foda-se para tudo isso. Foda-se, com estilo, com força, com humor e em bom tom. Estou cansada de ficar feito uma barata tonta nessa cidade (além do fato de que o bicho que menos gosto é barata!). Minha determinaçao tem sido grande para conseguir as coisas por aqui, mas tudo tem limite. Naquele momento, atingi meu limite. Peguei o metro mas nao para ir ao Ministério. Peguei o caminho de casa.

Porém, antes de ir pra casa, resolvi passar numa agência bancária para ver se conseguia, com o único documento que tenho até agora (que se chama empadronamento), abrir uma conta. Esta é uma das coisas que venho tentando fazer desde que cheguei aqui para pedir o reembolso das matérias que me matriculei a mais para este semestre. Sim, ainda tem mais isso. Numa outra oportunidade, contarei com mais detalhes, porque é outra novela. Mas a funcionária do banco me pediu um certo documento para abrir a conta. Adivinha qual era? Ele mesmo, o NIE.

Nao, nao mandei ela ir praquele lugar, porque acima de tudo, hay que manter o bom humor e a boa educaçao. Resolvi subir a rua e tentar novamente falar com alguém da comisaría (delegacia) de polícia ali perto de casa. É verdade que já havíamos estado lá, o Thiago e eu, por esse mesmo motivo, mas nos deram um número de telefone para nos informarmos. Pensei que talvez hoje estivesse uma pessoa diferente no atendimento. Bom, pelo menos nisso eu acertei. Quem me atendeu foi uma moça muito educada e que, prontamente, pediu informaçoes a outra funcionária para saber exatamente o que eu teria que fazer.

Ela deu uma olhadinha na data de validade do meu visto 20/12. Me perguntou se eu pediria prorrogaçao e eu disse que sim, já que o curso é de um ano e meio.

- Provavelmente você terá que renovar de três em três meses, mas vou entregar-lhe uma senha com a qual você virá aqui, no dia 29/11 (algo familiar esta data!), para que meus colegas digam exatamente o que você precisa fazer, quais formulários você deverá preencher e que documentos terá que trazer para fazer sua Tarjeta de Residencia, de Estudiante e o NIE.

Primeiramente me deu um frio na barriga de pensar que vou ter que passar por essa burocracia de renovaçao de visto a cada três meses. Depois um sentimento de dúvida em relaçao à informaçao que eu tinha de que teria que conseguir o NIE no prazo máximo de um mês desde minha entrada na Espanha. Mas como ela nao disse nada, resolvi deixar em stand by esta informaçao. Por fim, quis pedir uma data mais próxima, mas dei uma olhada na agenda dela e estava absolutamente cheia.

Pelo menos agora tenho uma senha e a certeza de que serei atendida por alguém que terá algo importante para me dizer na data marcada. Enquanto isso, vou procurar outras informaçoes que por acaso já tenham obtido outros estudantes perdidos como eu!

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A saga do NIE

Outubro 19, 2007 · 6 Comentários

Hoje levantei da cama bem cedinho. Ainda estava escuro (até porque aqui demora um pouco para amanhecer). Mas hoje parece que demorou mais ainda. Levantei com um objetivo traçado: ir à polícia solicitar meu Número de Identidad del Extranjero, que é justo o que tenho que conseguir antes do dia 04 de novembro (data que completará um mês da nossa chegada aqui na Espanha) para conseguir a renovaçao do visto de estudante por mais do que os três meses que me concederam aí no Brasil.

Em todos os lugares me disseram que eu deveria ir à polícia, porque só ela tem a competência de emitir esse tal NIE. Pois bem. Cheguei  cedo porque sabia que teria mais gente com a mesma intençao que a minha. Mas nao pensei que fosse tanta gente. Quando cheguei, havia filas e filas com inúmeras pessoas em cada uma delas.

Perguntei a um policial onde eu poderia ficar e ele me indicou justo a maior de todas as filas. Caminhei até o final dela observando as pessoas que ali já estavam e todas tinham cara de estar esperando há muito tempo por serem chamadas. A placa que estava na frente do primeiro da fila dizia: “informaçao”. Peraí! Eu tinha que enfrentar aquilo tudo só por uma informaçao? Perguntei para algumas pessoas se no meu caso eu nao poderia ir para outra fila, mas me disseram que nao. Era ali mesmo que eu deveria ficar.

Mal sabia eu que teria que esperar, em pé, durante 3 horas – eu disse 3 horas – até que chegasse a minha vez de… entrar em outra fila?! Sim, exatamente isso. Fiquei três horas em pé, tentando sublimar o frio cortante que fazia no início da manha, para entrar em outra fila, só que do lado de dentro da comisaría de policia, que é como se chama delegacia aqui.

Na minha frente estava um jovem árabe com sua papelada para conseguir uma permissao para residir na Espanha. Quando entramos na comisaría e que nos demos conta de que todas as filas do lado de fora levavam para um mesmo lugar, ele se indignou: “Mas que país é esse em que estamos???”. Eu queria dizer a mesma coisa. Podíamos ter pego a fila menor. A que tinha só dez pessoas. A que durou menos de dez minutos. Porque todos fomos para o mesmo balcao.

 Enfim, no balcao, depois de esperar mais sei lá quanto tempo (porque já nao conseguia mais raciocinar direito de tanta dor nas pernas, nos pés, nas costas e de tanto tremer de frio), um funcionário me atendeu muito prontamente: “seu passaporte, por favor”. Eu o entreguei. “Nao é aqui. Você tem que ir a este endereço”, disse o moço me entregando um papel em que constava o endereço de uma seçao governamental específica para estudantes de outro país.

Confesso que, nesse momento, tive vontade de chorar. Uma vontade quase incontrolável, porque sentia dores, sentia fome, sede, frio e… nao era ali que terminaria minha saga do NIE. Lembrei-me de que este é apenas um dos documentos que tenho que solicitar. Com ele, terei que pedir também um cartao de estudante e, depois, dar entrada numa papelada sem fim para que eu possa trabalhar legalmente aqui.

Mas pensei: “Vamos, Flávia, deixe de auto-piedade. A fome e a sede a gente mata comprando numa dessas máquinas que têm por aqui em que a gente poe uma moeda e compra de tudo um pouco. O cansaço a gente resolve no fim de semana. Vamos ao outro endereço”. Peguei o metro e fui ao segundo destino do dia.

Chegando lá, havia outros estudantes na mesma situaçao que eu, ou seja: perdidos. E um homem na porta dizendo que só entraríamos se tivéssemos senha. “Que senha?”, perguntou um deles. “A senha que se pede por telefone”, respondeu o funcionário. Só que uma das meninas já havia passado toda a semana ligando e o telefone do tal lugar só dava ocupado. Ela, naquele instante, ligou e mostrou para o cara: “Está vendo? Só dá ocupado! Nós nao vamos conseguir. Vamos ficar ilegais aqui. Nao é justo! Nós temos visto. Só queremos pedir sua prorrogaçao”. “Nao posso fazer nada”, respondeu. “A nao ser que voces venham aqui um dia da semana para tentar pegar uma das 70 senhas que distribuem por dia. Só que tem que chegar muito cedo ou dormir na fila, porque sempre vem muita gente”.

Pensei comigo: “tenho aqui na bolsa um endereço de uma oficina de extranjería onde podem me ajudar”. Pelo menos foi o que encontrei pela internet. Voltei para o metro e me dirigi a este outro endereço. Chegando lá, toda a minha esperança deu de cara com um portao fechado e uma placa de aluga-se. Botei meu rabinho entre as pernas e voltei para casa sem o bendito NIE.

Detalhe: ainda que eu durma na fila e pegue a senha, só estao marcando reunioes com a gente no prazo mínimo de um mes. Ou seja: vocês acreditam que eu tenha alguma chance de pedir para prorrogarem meu visto antes do dia 04 de novembro? Infelizmente, no momento, com as informaçoes que tenho, nao posso dizer que sim.

Sinceramente, eu, Flávia, nunca vi um negócio desses em toda a minha vida. Nem no Brasil, que é tudo tao lento, passei por uma coisa dessas. Na fila, uma mulher que estava perto de mim comentava com a amiga: “Mas a gente é imigrante no país deles, entao tem que ficar calado. Só que quando eles vao no nosso país, sao tratados como reis”. E eu que estou estudando no mestrado sobre a importancia de integrar o imigrante e de fazer com que ele se sinta integrado à sociedade espanhola… Sem comentários.

Mas vejamos pelo lado positivo das coisas:

- pude aproveitar o tempo na fila para ler grande parte de um excelente livro que ganhei da minha tia enquanto estava aí no Brasil. O livro, a propósito, se chama “Nunca desista de seus sonhos” (!). É um livro excelente, diga-se de passagem. Todos deveriam lê-lo;

- treinei minha capacidade de abstraçao e auto-controle para nao sair dos eixos;

- treinei minha paciência, que já vi que, morando na Espanha como imigrante, ela -a paciência – terá que ser minha grande companheira;

- andei por linhas de metro que ainda nao havia andado;

- comi sanduíche que se vende em máquina, dos que eu nunca tinha comido;

- vi que nao sou só eu que estou perdidíssima com essa burocracia daqui;

- enfim, cheguei em casa e ela – a casa – nunca havia estado tao aconchegante e protetora como hoje. A partir de entao, vou começar a olhá-la com outros olhos.

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Com dor nas pernas

Outubro 17, 2007 · 2 Comentários

Estamos na quarta-feira e parece que já andei o suficiente para a semana toda. Isso porque tinha que pegar tal papel em tal lugar, pedir informaçao em outro, enfim. Até agora o que sei é que ainda preciso vencer uma longa e árdua burocracia. Embora eu tenha vindo com visto de estudante, na prática, isso nao significa muita coisa por aqui. O que pedem nao é o passaporte da gente para verificar o selo do visto. Pedem o NIE ou uma TEE. Hein???

Lá fui eu andar atrás de informaçao pra ver se eu descobria onde é que se faz esse NIE e a TEE. Pelo menos descobri o que significam: Número de Identidad del Extranjero e Tarjeta de Estudiante Extranjero. Me disseram que fosse à polícia para solicitá-los. Só que nao era lá. Fui à prefeitura e disseram que era na polícia. Parece piada! Voltei à polícia e ela está fechada para reforma por tempo indeterminado. Preciso encontrar uma outra polícia que esteja aberta.

Mas, pensando bem… Andei olhando algumas coisas na internet e vi que aqui existem Oficinas de Extranjeros, onde provavelmente poderao me ajudar. Estou ficando com medo de conversar com as pessoas, porque para cada uma que peço informaçao, ainda que seja sobre o mesmo tema, obtenho uma resposta diferente. E lá vou eu andar, andar e andar pelas ruas de Madrid.

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Madrid e eu… Eu e Madrid…

Outubro 15, 2007 · 2 Comentários

Estou só!!!!!!! Help!!!!!!!

Puxa vida, como fica sem graça essa imensidao de cidade sem o Thiago. Fico meio perdida sem ele. Nesse momento, está ele em Firenze, na Italia, indo atrás de suas origens para reconhecer sua cidadania italiana. E eu, aqui, solita, esperando que ele consiga driblar a burocracia e volte o mais rápido possível para o nosso cafofo espanhol.

Enquanto isso, procuro encher minha cabeça e meu tempo de coisas para nao ficar lamentando sua falta (embora seja praticamente impossível nao lamentar). Ontem teve um almoço peruano em nossa casa, oferecido pela mulher de quem alugamos o quarto. A história do quarto é a seguinte: uma mulher (Celia) peruana, sua filha (Genoveva) e seu genro (Pepe) alugam um apartamento de três quartos e utilizam apenas um. A Celia, na verdade, só passa os fins de semana por lá. Os outros dois quartos sao livres para alugarem para outras pessoas. No caso, somos o Thiago e eu em um e uma outra peruana (Felicitá) em outro. Todos sao muito gente boa e, por também serem imigrantes, têm muitas coisas a nos ensinar.

Hoje fui à prefeitura de Leganés para requerer um formulário para o que aqui se chama empadronamento, que seria um comprovante de que moro aqui, destacando sobretudo o motivo de minha estada, que é o que mais interessa para o governo espanhol. Agora tenho que preenchê-lo e levá-lo à casa onde Celia trabalha para que ela o possa assinar. Com isso em maos, creio que poderei abrir uma conta num banco, que é uma das coisas essenciais para se viver aqui. Outra coisa é o celular. Aqui praticamente obrigam a todos a ter celular. Se nao o temos, nem emprego conseguimos. Se brincar, nem amizade fazemos!

Depois fui ao correio postar uma carta para o Thiago. Um dos recursos para nao sentir tanto a sua falta é escrever para ele! Mas acho que nao vai dar pra ficar escrevendo tanto quanto eu gostaria. Por uma mísera cartinha com duas folhas me cobraram 2.82 Euros. E no correio foi muito engraçado. Entrei pela porta onde organizam as cartas para distribuiçao. Pedi informaçao para uma moça e ela me orientou que entrasse pela outra porta. Daí eu nao sabia como preencher o envelope, porque já havia ouvido dizer que aqui se colocam remetente e destinatário de um lado só. Na dúvida, perguntei a um rapaz como fazer. Ele me disse que eu poderia escrever do mesmo lado, ou de um lado e do outro ou só colocar o destinatário. Entao fui para a fila. Ops, tive que voltar para pegar a senha. Nossa, e como tinha gente na minha frente! E que lerdeza o atendimento! Enquanto isso, fui observando o que as outras pessoas faziam. Vi que todas que iriam postar cartas preenchiam um pequeno formulário com seus dados e os dados do destinatário. Peguei um desses e também o preenchi. Menos mal que assim o fiz, porque é norma que se entregue a carta ao funcionário do correio já com esse formulário preenchido. Aquilo funciona como o comprovante de envio da correspondência. Depois farei um teste de enviar uma carta ao Brasil para ver quanto me vao cobrar.

Bom, agora tenho que ler um texto aqui na net que é para a aula de amanha. Putz, como é difícil ficar sem computador nesse país onde quase tudo se resolve pela internet! Meu primeiro investimento aqui, quando estiver trabalhando, será comprar um notebook, com certeza.

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Respeito à faixa de pedestre

Outubro 15, 2007 · 2 Comentários

Embora a gente ainda fique meio desconfiado na hora de atravessar a rua na faixa de pedestre, sem saber se os carros vao parar, ou nao, aqui eles param e deixam a gente passar seguramente. A desconfiança obviamente é herança do nao respeito aos pedestres aí no Brasil. Quem sabe um dia a gente consiga atingir tal nível de auto-confiança – e de confiança nos motoristas, claro – que consigamos fazer como fazem os espanhóis que atravessam atrevidamente a rua, quando estao na faixa, sem olhar para os lados.

Por outro lado, já percebemos que nas bandas mais afastadas do centro badalado de Madrid, se respeita mais as faixas. O lugar onde moramos se chama Leganés. É uma cidade no entorno de Madrid, que faz parte do que aqui se chama Comunidad de Madrid. É uma cidade porque tem sua própria prefeitura, mas, em todo caso, é Madrid. Sao cinco as cidades que formam a Comunidad de Madrid (fora a própria Madrid): Leganés, Móstoles, Getafe, Fuenlabrada e Humanes. Se eu descobrir mais alguma, lhes digo depois!

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Motores a diesel

Outubro 15, 2007 · Deixe um comentário

Eu ficava me perguntado porque é que os carros de passeio no Brasil nao possuem motor a diesel. Já me deram várias justificativas para isso. Uma delas seria que só carros maiores podem comportar esse tipo de motor.

Negativo! Aqui todos os carros que vimos até agora têm motor a diesel. E este é o combustível mais barato por aqui. Gasolina tem o preço bem mais alto, assim como no Brasil. Fiquei feliz ao perceber que meu pensamento revolucionário de querer mudar os motores de todos os carros brasileiros por motores a diesel (!) procede.

E como é que a gente sabe que os carros têm motor a diesel? Simples: pelo barulho que fazem. Se a gente anda de olhos fechados pelas ruas de Madrid, temos a plena certeza de que só existem caminhonetes circulando por aqui.

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Cheiro característico

Outubro 15, 2007 · Deixe um comentário

Olá, queridos amigos! Há tempos nao tinha tempo para escrever aqui no blog, mas hoje cheguei mais cedo à biblioteca da faculdade para ver se atualizo alguma coisa por aqui. Primeira coisa: nao encontrei o til nesse bendito teclado espanhol. Segunda coisa: nao vai dar tempo de ficar revisando o texto que escrevi, como sempre faço, para nao deixar passar batidos errinhos de digitaçao. Entao, relevem a falta do til e possíveis falhas, ok?

Madrid tem um cheiro característico. Pensei que seria apenas o cheiro do albergue, mas nao é, nao. A cidade inteira cheira algo que se parece a um perfume barato, misturado com desinfetante e shampoo sem marca, sabe? É muito estranho! Difícil até de explicar. Por outro lado, essa mistura toda se junta ao cheiro da fumaça dos fumadores compulsivos que sao esses espanhóis. Putz, como fumam! Nao é mero estereotipo: 99% dos espanhóis fumam.

Ao contrário do que diziam pra gente no Brasil - que pessoas que nao fumam e vêm para a Espanha, começam a fumar -, a cada dia que passa o Thiago e eu tomamos mais asco do cigarro. ¡Vaya cigarrillo!

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Baratinada

Outubro 5, 2007 · 2 Comentários

É assim que estou ainda. Muita coisa nova, muita coisa antiga (e cada coisa mais linda que a outra), muita gente falando 300 idiomas diferentes e minha cabeça girando. Quando o sol nasceu hoje, Thiago e eu já estávamos na rua, rumo à universidade, para que eu aprendesse como chegar lá. Afinal sao (nao achei o til) muitos quilometros daqui onde estamos, no centro da cidade, para o município de Fuenlabrada, onde vou estudar.

O hostal onde ficaremos até que aluguemos um quarto (nao sei porque se chama hostal) é muito organizado. Eu é que ainda nao consegui dormir direito. Cabeça tao cheia que nem dá pra descansar direito. Nem foto tiramos ainda – pasmem! Quando estivermos mais tranqüilos, faremos passeios turísticos. Por enquanto estamos nos localizando nessa cidade enoooorme, aprendendo a nos locomover pelos metros e renfes e enxergando o sol nascer do lado que era para ele se por(!!!). É que aqui é o contrário, ora! Eu já deveria saber.

Experiencia do dia: como usar o orelhao. Começamos perdendo 25 centavos. Ponto para ele! Depois resolvemos comprar um cartao e para todos que perguntávamos, ofereciam celulares, porque é muito mais em conta. Já vi que vamos ter que comprar um celular em breve. Por fim, conseguimos encontrar uma loja enorme que vendia os tais cartoes para orelhao. Queríamos ligar para os números dos anúncios de aluguel de quartos que encontramos, mas os créditos foram embora rapidinho. Menos mal que conseguimos marcar duas visitas para amanha. Os preços estao em conta. Vamos ver no que dá. Sorte!

Aqui é meio complicado usar internet. Talvez eu consiga atualizar o blog da universidade. Veremos!

Beijos para todos!

Hasta luego!

PS: Gui, posta de novo o seu comentário! É que o computador da sua casa estava logado no meu nome. Beijo!

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Inauguração do cafofo do Guilherme

Outubro 1, 2007 · 2 Comentários

O Guilherme é meu cunhadinho, irmão mais novo do Thiago, que eu também já adotei como irmão. Ele morava aqui na casa dos pais, depois decidiu morar um tempo com a avó e agora voltou pra cá. Só que essa volta rendeu uma boa organizada no quarto dos fundos, que passou a ser sua residência oficial. Aproveitando a onda de festas, confraternizações, encontros e despedidas, fizemos a inauguração do cafofo do Gui com uma divertidíssima sessão de dicionário – que é um jogo muito engraçado que aprendemos com um casal de amigos nossos, Renner e Cíntia.

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Da esquerda para a direita, Dimas, Silvia, Val e Guilherme.

Estou muito feliz com os comentários que já recebi aqui no Blog e também com os e-mails respondendo à minha divulgação. Beijos para todos!

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