Tomando novos rumos…

Entradas do Outubro 2008

“Passa a sacola senão eu te mato!”

Outubro 26, 2008 · 1 Comentário

Não, não foi um assalto. Estava eu dando uma volta tranqüilamente pelo parque aqui perto de casa (tem que aproveitar, porque dia 1º de novembro mudo de apê), curtindo um solzinho maravilhoso que estava fazendo hoje, quando vejo uma mãe chegando com seus quatro filhos, duas meninas e dois meninos. Pelo jeito que a mãe se vestia e também como os filhos estavam descuidados, cheguei à conclusão de que eram ciganos. Não é preconceito. É que aqui em Loranca (Fuenlabrada) moram muitos ciganos e eles têm características bem marcantes, sobretudo pelo jeito de falar e se vestir. Normalmente não cuidam bem da higiene e nem da educação dos filhos.

 

Pois bem. Chegaram os cinco falando todos ao mesmo tempo e uma das meninas levava uma sacola de supermercado com um pedaço de pão para dar para os patos do parque. Um dos seus irmãozinhos de repente dá um puxão na sacola e grita: “passa a sacola senão eu te mato!”. A mãe provavelmente nem escutou o que o filho dizia, porque falava sem parar, num mesmo tom monótono e quase não parava para respirar. A menina, que nem se assustou – porque já deve estar acostumada com esse tipo de comportamento –, entregou a sacola e foi passear com a outra irmã.

 

Impressionante como os ciganos primam por conservar a fama que têm aqui na Espanha. Não é à toa que as pessoas desenvolvem preconceito em relação a eles. São uns machistas de primeira linha e hoje tive a prova de que o machismo começa em casa, com o aval dos pais e dos irmãos.

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Fim de semana super badalado

Outubro 25, 2008 · 1 Comentário

Que nada! Estou em casa, estudando. Vai querer fazer mestrado? Então agora estuda. Puxa vida, mal começamos o terceiro semestre do curso e os professores já encheram a gente de livros, textos, artigos científicos e trabalhos para apresentar. Mas não tenho do que reclamar. De vez em quando é bom dedicar um fim de semana inteiro ao progesso intelectual da humanidade! Hehehehehe!

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“Você já falou com um testemunha de jeová?”

Outubro 23, 2008 · 2 Comentários

“Não”, respondi. “Pois está falando com um deles”, disse meu novo companheiro de apartamento, um rapaz de 30 anos chamado Collins. Tudo começou porque a Jane, com quem divido apartamento há quase dez meses, me disse que precisava alugar o terceiro quarto (que usávamos sobretudo para colocar roupa para secar em dia de chuva). Em setembro ela foi demitida de um dos empregos em que trabalhava e estava sem grana para pagar o aluguel.

 

Uma amiga da Jane lhe disse que Collins estava procurado um quarto para alugar e que teria que ser em Fuenlabrada, que é justo onde moramos. Não demorou mais que uma semana para que recebêssemos o nosso novo “vizinho”. Aparentemente gente boa, tranqüilo, organizado, enfim. O problema é que… Bom, o problema é a ideologia (para não dizer outra coisa).

 

Jane, que já recebia influências ideológicas da tal amiga que lhe apresentou a Collins, está estudando para ser testemunha de jeová. Adivinha quem faltava para completar o time? Exato: euzinha. Tarefa do dia: tentar converter a Flávia.

 

Ai, ai, nem te conto. Depois de uma forte e insistente tentativa (ou, como diria minha amiga que estuda direito, um assédio ideológico), tive que dizer: “Collins, não me venha com esse papo de religião outra vez, por favor. Eu te respeito e quero que você também me respeite. Tenho muito o que fazer, muito o que estudar, chego em casa tarde todos os dias, cansada, quero pelo menos ter sossego e me sentir em paz”. Ele ficou me olhando, com cara de assustado e disse um tímido “ok”.

 

Mudança de tática: ao invés de falar sobre temas transcendentes, resolveu me dizer que não se sentia realizado conversando comigo sobre outras coisas, sobre assuntos inconsistentes do dia-a-dia. “Sinto muito, Collins, mas é sobre o que vamos conversar, você e eu, a partir de agora”, expliquei.

 

Ele sigue tentando se aproximar de mim de todas as maneiras, por todos os lados, através de todo tipo de assunto, e eu reajo como um verdadeiro quiabo. Ultimamente mais ainda, porque percebi uma tentativa de affair da parte dele. Não, não e não!!! Um dia desses estávamos na cozinha preparando algo para comer e ele me disse: “gosto muito de conversar com você, mas sinto falta de um algo mais, entende?”. “Não”, respondi imediatamente, “não entendo”. Entrei pro quarto e só saí dali no dia seguinte.

 

Agora mesmo ele me chamou para perguntar se a música que ele ouvia estava me incomodando. Disse que não, porque ainda não tinha começado a estudar. Então ele veio com um papo de que me acha muito bonita e que não sabe porque se sente atraído por mim, já que não sou testemunha de jeová. Em suma: ele só se relaciona com uma mulher se ela também for testemunha de jeová. “Mas com você”, disse, “minha barreira se rompe”. P-u-t-a-q-u-e-p-a-r-iu!!! Socorro!!!

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Vale à pena ver de novo

Outubro 21, 2008 · 2 Comentários

Lembra da história do NIE? Puxa vida, quando lembro do tanto que eu andei, pra cima e pra baixo nessa cidade, procurando o lugar exato para pedir minha identidade de estrangeiro, parece um sonho de barriga cheia. Mas é assim mesmo. Quando somos “de fora”, temos que adaptar às situações que o outro país nos impõe. Fazer o quê? Tratei de dar um jeito até que descobri que havia um telefone para pedir um horário em uma oficina de estrangeiros, onde deveria entregar toda a documentação que comprovasse que estava realmente estudando em Madrid. Fiz tudo o que precisava, me entregaram a carteirinha de identidade e fiquei tranqüila até o dia 3 de outubro, quando esta mesma carteirinha bonitinha venceu.

Menos mal que em julho atendi, na secretaria da universidade, a mãe de uma aluna da URJC que, por coincidência ou não, é chefe da polícia de imigração e serviços de deportação de Madrid. Meu chefe foi falar com ela e comentou que eu sou brasileira e que meu documento venceria no dia 3 de outubro. O fato é que eu havia ligado naquele mesmo telefone para pedir um horário para renovar o documento e me disseram que só tinha vaga para o dia 23 de outubro (20 dias em situação ilegal na España, com aquela adrenalina boa de sempre… Ai, ai, meu coração!).

Ela, muito educada, me deu o seu telefone e pediu pra que eu levasse a documentação para a sua secretária e, através do seu departamento, tramitaria toda a papelada para que renovassem minha estância para estudos o quanto antes. Entrei em contato com ela em agosto, como combinamos, e ela disse que estraria de férias em setembro. Mesmo assim, poderia passar pela delegacia onde ela trabalha e falar com a tal secretária.

Chegando lá, na primeira semana de setembro, a secretária de fato lembrava que uma certa Flávia passaria por ali, mas não sabia que papelada era essa que teria que receber. Resultado: ela acabou me passando a outro departamento, onde falei com outras pessoas até que uma delas entendeu exatamente o que eu queria. É que ali, naquela delegacia, não tramitam nada referente a estudantes estrangeiros. O que essa gentil funcionária fez foi entrar em contato com a delegacia certa e enviar meus papéis pelo correio para uma de suas amigas. Esta amiga me mandaria uma carta, dentro de um mês ou dois, para que eu passasse pela delegacia certa com o resto de documentos que me pedissem.

De fato, a carta chegou. Me pediam um seguro médico internacional. Por sorte, havia conversado com um colega do mestrado, que também é brasileiro, e ele me deu a dica de um seguro bom e barato. Corri lá na seguradora no dia seguinte, passei pela delegacia, entreguei uma cópia da apólice a uma das funcionárias que me disse: “agora é só esperar que vão enviar uma carta pra que você venha buscar sua carteira nova, se toda a documentação estiver correta”. Perguntei: “mas vocês não precisam colher minhas digitais e nem precisam de fotos para fazer essa carteira nova?”. Ela ficou me olhando, calada, pensativa, como que querendo dizer: “mas essa menina o que está querendo dizer?”. Sem mais nem menos, se retirou do balcão e, depois de alguns minutos, voltou com o envelope que a outra funcionária havia enviado pelo correio com a minha documentação. “Ah, é que você havia estado na delegacia errada e nos mandaram a documentação tem poucos dias.”

Já com tudo em dias, voltei pra casa naquela dúvida cruel: “será que vão conceder mais um ano de estância com tudo o que apresentei para comprovar que estou estudando?”. O jeito que tinha era esperar os dois meses seguintes até que me enviassem a resolução, outra vez pelo correio.

Menos mal que em menos de um mês, o envelope tão desejado chegou às minhas mãos trazendo a boa notícia: posso passar pela delegacia na segunda semana de novembro para pegar meu documento novo. Estou legal na Espanha outra vez! Graças a Deus!

O segredo é ter paciência. Bom, isso eu já sei. O negócio é colocar em prática esse conhecimento! Menos mal que não preciso pensar nessa novela do NIE até o ano que vem.

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Depois de um longo e maravilhoso verão…

Outubro 21, 2008 · 1 Comentário

… aqui estou novamente para atualizar este tão abandonado blog. Não garanto que poderei manter uma certa freqüência de atualizações, porque as aulas já começaram, o trabalho anda bastante puxado, chego em casa morta e ainda tenho que ler um monte de textos que os professores passam pra gente. Mas também, vai querer fazer mestrado sem ler? Não tem jeito!

Bom, já deu pra perceber que alcancei um nível de conhecimento informático considerável, né? Agora sei como colocar o til! Aeeeeeeeeeeeeeee!!! Devo confessar que é porque o teclado do meu notebook veio com o til em uma das teclas, o que facilitou bastante. Mas um amigo do mestrado me disse que a gente pode usar ctrl+alt+4 e realmente funciona. Agora não tem mais desculpas!

O verão já se foi e o outono trouxe seu aquele ventinho fresco, dias cinza, chuvinha fina e a saudade do calor brasileiro. Mas não foi só o clima que mudou. Na verdade, muita coisa aconteceu durante as duas últimas estações. Situações difíceis, como o término da relação com o Thiago, foi uma dessas novas experiências que não havia comentado por aqui. Isso foi no começo de maio, depois de um mês inteiro de crise intensa.

Passou. Agora é olhar pra frente, aproveitar as oportunidades que a vida oferece e deixar o coração leve. É o que desejo para ele também, claro. Uma pessoa doce, que me ajudou muito, muito e que sempre estará na minha lista dos 10 mais.

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