“Você já falou com um testemunha de jeová?”

“Não”, respondi. “Pois está falando com um deles”, disse meu novo companheiro de apartamento, um rapaz de 30 anos chamado Collins. Tudo começou porque a Jane, com quem divido apartamento há quase dez meses, me disse que precisava alugar o terceiro quarto (que usávamos sobretudo para colocar roupa para secar em dia de chuva). Em setembro ela foi demitida de um dos empregos em que trabalhava e estava sem grana para pagar o aluguel.

 

Uma amiga da Jane lhe disse que Collins estava procurado um quarto para alugar e que teria que ser em Fuenlabrada, que é justo onde moramos. Não demorou mais que uma semana para que recebêssemos o nosso novo “vizinho”. Aparentemente gente boa, tranqüilo, organizado, enfim. O problema é que… Bom, o problema é a ideologia (para não dizer outra coisa).

 

Jane, que já recebia influências ideológicas da tal amiga que lhe apresentou a Collins, está estudando para ser testemunha de jeová. Adivinha quem faltava para completar o time? Exato: euzinha. Tarefa do dia: tentar converter a Flávia.

 

Ai, ai, nem te conto. Depois de uma forte e insistente tentativa (ou, como diria minha amiga que estuda direito, um assédio ideológico), tive que dizer: “Collins, não me venha com esse papo de religião outra vez, por favor. Eu te respeito e quero que você também me respeite. Tenho muito o que fazer, muito o que estudar, chego em casa tarde todos os dias, cansada, quero pelo menos ter sossego e me sentir em paz”. Ele ficou me olhando, com cara de assustado e disse um tímido “ok”.

 

Mudança de tática: ao invés de falar sobre temas transcendentes, resolveu me dizer que não se sentia realizado conversando comigo sobre outras coisas, sobre assuntos inconsistentes do dia-a-dia. “Sinto muito, Collins, mas é sobre o que vamos conversar, você e eu, a partir de agora”, expliquei.

 

Ele sigue tentando se aproximar de mim de todas as maneiras, por todos os lados, através de todo tipo de assunto, e eu reajo como um verdadeiro quiabo. Ultimamente mais ainda, porque percebi uma tentativa de affair da parte dele. Não, não e não!!! Um dia desses estávamos na cozinha preparando algo para comer e ele me disse: “gosto muito de conversar com você, mas sinto falta de um algo mais, entende?”. “Não”, respondi imediatamente, “não entendo”. Entrei pro quarto e só saí dali no dia seguinte.

 

Agora mesmo ele me chamou para perguntar se a música que ele ouvia estava me incomodando. Disse que não, porque ainda não tinha começado a estudar. Então ele veio com um papo de que me acha muito bonita e que não sabe porque se sente atraído por mim, já que não sou testemunha de jeová. Em suma: ele só se relaciona com uma mulher se ela também for testemunha de jeová. “Mas com você”, disse, “minha barreira se rompe”. P-u-t-a-q-u-e-p-a-r-iu!!! Socorro!!!

Anuncios

2 pensamientos en ““Você já falou com um testemunha de jeová?”

  1. O Collins gamou….hahahahahhaahhaha
    minha antiga landlord nos States era Testemunha. Sempre colocava umas revistinhas sobre o assunto debaixo da porta, kkkkkkkkkk
    eles sao assim mesmo, insistentes…..
    bye….
    agora to saindo do seu blog……
    tenho q vasculhar a net mais sobre NIE…
    bj

    Me gusta

  2. kkkkkkkkkk, muito bom… pelo menos esse collins serviu para alguma coisa, pra tu escrever esse texto… como se diz no ceará, ele tá botando pra cima e é di cum força. eita, cuidado: água mole em pedra dura…

    Me gusta

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s