A Casa dos Espíritos

Já sei que é uma história antiga, escrita por Isabel Allende em 1982, mas é algo que convém recordar sempre que possível.

Semana passada li o livro, alguns anos depois de ver o filme (The House of the Spirits, 1993). A saga da família Trueba, que começa com a união entre Trueba e Del Valle, acaba com uma tragédia muito bem contextualizada histórico e politicamente pela filha de Salvador Allende.

Para todos os que viram o filme – e também para aqueles que ainda não o viram – recomendo a leitura do livro. Embora esteja dividido em duas grandes partes, Isabel escreve de uma maneira tão fluente que a leitura se torna bastante suave.

Comentei com uma amiga que gostei muito do filme quando o vi e ela me disse que não o veria novamente por causa dos espíritos. “Fiquei com muito medo”, disse. Bobagem! A casa grande da esquina (ou a casa dos Trueba) é onde os espíritos da época se comunicam e desenvolvem a parte romântica da história. Porém, o mais importante é a verdadeira história do golpe militar no Chile, as consequêcias drásticas das torturas, das famílias que nunca tiveram notícias dos seus filhos, sobrinhos, netos… Uma realidade que a América Latina viveu e protagonizou durante muitos anos.

Depois de ter lido o livro, que conta com muito mais detalhes as experiências das três gerações – Clara, Branca e Alba -, me pergunto: como pode existir tanta gente que ainda acredita que a ditadura militar é a melhor forma de governo para um país? Como? Não entendo… Como podem acreditar que a melhor alternativa para o povo é estar em mãos de militares despreparados emocional, intelectual e psicologicamente, privando a todas as pessoas de assumirem seus papéis de cidadãos e exercerem com liberdade a sua inteligência e criatividade?

Leiam o livro. Vale à pena. Não se trata da história do povo chileno. À medida que avançamos página por página, nos sentimos mais parte da história. O que sofreram eles foi o que sofreram nossos pais, nossos avós e tanta gente de tantos países. Uma história coletiva de absurdos, de trevas, de incompreensão e de injustiça. Sobre tudo isso é preciso ler e passar adiante para que ninguém se esqueça do horror que representa uma ditadura. Como diria o respeitável teórico da comunicação Theodor Adorno, quando se referia aos campos de concentração durante a Segunda Guerra: é preciso falar, comentar, estudar, ler, ensinar, ter contato com a experiência que tanta gente viveu naquela época, porque o esquecimento faria com que repetíssemos os mesmos erros do passado. “Que Awschvitz não se repita”… Jamais!

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