“En España estamos feministas”

Estou indignada. Não. Melhor:  estou indignadíssima com a apresentação de Montserrat Boix, coordenadora da página Mujeres en Red, no congresso realizado hoje na Universidad Rey Juan Carlos  em Madri. Está certo que o congresso era sobre gênero e comunicação, mas certas coisas não se justificam. Outro dia escutei na rádio que “en España estamos feministas”. Adorei a expressão, porque realmente o feminismo é como uma série de ondas que vêm e vão.  Neste exato momento existe um movimento feminista bastante significativo na Espanha, mas com certeza esta será uma onda que passará. Isso porque o feminismo morre em si mesmo, se boicota a si mesmo. E olha que eu sou mulher, mas é preciso ser crítico com tudo nesse mundo.

Montserrat Boix é uma personalidade importante no feminismo espanhol e trabalha na Televisão Espanhola exercendo um papel parecido a um oráculo dedicado a orientar os jornalistas com relação ao uso da linguagem. O que ela tenta conseguir é conscientizar os profissionais da comunicação sobre a importancia do uso correto das palavras para descrever determinado acontecimento. E se referia aos alunos que ali estavam como futuros jornalistos e futuras jornalistas. Espera aí: futuros jornalistOs???? Como assim?

Como é fácil se enforcar com o próprio discurso. Isso é o que quero dizer quando dou razão ao comentário que escutei na rádio (“estamos feministas”) e que o feminismo morre na praia, porque depois de tanta luta, no meio do caminho a gente encontra uma especialista no uso da linguagem não sexista da Televisão Espanhola que diz “jornalistOs”.

Quando abriram o debate, tive que fazer uma perguntinha apimentada. Levantei a mão e soltei um “qual é o limite entre o uso correto e o uso ridículo da linguagem?”. Resposta: “Isso que eu digo de jornalistos é para provocar”. Vamos ver se eu etendi bem: uma personalidade importante no mundo feminista vai dar uma palestra numa universidade e disse jornalistos em vez de jornalistas para provocar? É isso mesmo? O discurso, sinceramente, acaba de morrer na praia. Credibilidade zero.

Um aluno deu continuidade a minha pergunta e disse: “é que eu não me sinto mal se me chamam jornalista. Prefiro ser jornalista que jornalisto”.

Pelo jeito, “estamos feministas” por pouco tempo. Logo, logo essa febre passa, porque si para dar sequência a esse movimento vamos precisar de vários feministOs, felizmente não vai ser possível continuar.

Un pensamiento en ““En España estamos feministas”

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