Recomendações literárias

Tem dia que penso que minha vida se resume em livros e mais livros! Mas isso é bom. Aliás, não tem nada melhor que ler outra coisa que não tenha nada que ver com as pesquisas de doutorado quando estamos fazendo a tese. Ajuda a refrescar a mente e a estabelecer um estilo próprio para escrever a tese doutoral (um livro imenso, sem muito encanto, que parece que não termina nunca).

Em agosto deste ano (2011) estive no Brasil para rever os amigos e matar a saudade da família. Encontrei com uma prima, amante da leitura, que me recomendou um livro do autor Carlos Ruiz Zafón, titulado “A sombra do vento”. Como não deu tempo de comprá-lo no Brasil, comentei com a minha sogra sobre a recomendação literária que havia recebido e ela me disse que tinha o livro. “É maravilhoso” – disse. “Já li e reli muitas vezes”. Maravilhoso é pouco. Recomendo, recomendo e recomendo. Este é o primeiro de uma saga de três novelas meio históricas, meio de ficção, que acontecem na cidade de Barcelona, nos primeiros anos do século XX. Uma narrativa cheia de suspense, intrigas familiares, decepções amorosas e uma autêntica veneração pelos livros. O autor consegue fisgar o leitor desde a primeira página e não somos capazes de escapar de suas garras literárias até o último momento, a última página, o último suspiro da história impressionante dos seus personagens. Embora seja o primeiro de uma série, não é bem uma série, como Millenium, de Stieg Larsson. São histórias independentes e que se entendem perfeitamente se são lidas por separado. O segundo, que creio que ainda não está tradizido ao português, se chama “El juego del ángel” e o terceiro saiu agora em novembro, “El prisionero del cielo”. Se são tão bons como o primeiro, num futuro próximo recomendarei sua leitura, assim como fiz também com aquela história que continua sendo a minha preferida, “A casa dos espíritos”, de Isabel Allende.

Independentemente de crenças e afinidades políticas, recomendo também a magnífica história relatada por ele mesmo, o ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, “JK Caminhos do Brasil”. Um retrato do nordeste contemporâneo à criação de Brasília e do esforço que significou a mudança da capital brasileira do Rio de Janeiro ao planalto central. Incrível relato da realidade da seca, das mortes precoces dos brasileiros mais humildes e cheios de fé, donos de uma religiosidade que não lhes abandona nem mesmo quando já não podem sustentar o peso do corpo em cima dos próprios pés. Emocionante e extremamente realista, a narrativa escrita em primeira pessoa estimula inevitavelmente a reflexão e um enorme sentimento de compaixão pelos candangos, que levantaram com a força de suas mãos calejadas a cidade que atualmente acumula corrupção, ilusões e esperança. Juscelino nos ensina a valorizar o nosso país e a nossa gente, acreditando sempre que podemos ser (ou que realmente somos) o gigante da América Latina.

Não existe melhor remédio, entretenimiento e arma pacífica que a leitura. Nada melhor, claro, que ler algo que nos motiva, que provoque curiosidade e que ensine boas lições para a vida.

Aceito sugestões!

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