Dia internacional da luta contra a violência de gênero

Ontem, 25 de novembro, se celebrou o dia internacional da luta contra a violência de gênero ou, se preferir, violência machista, violência contra a mulher, violência doméstica. O nome não importa. A questão é que, pouco a pouco, vamos tomando consciência de que nossa sociedade tem uma séria tendência ao machismo cultural e já está mais que na hora de começar a pensar de forma diferente.

Nada que ver com feminismo. Não sou partidária desse tipo de movimento, que acaba fomentando a idéia equivocada de que igualdade de gênero significa que as mulheres são melhores que os homens. Falsas interpretações da palavra “igualdade” quando aparece associada a “gênero”.

Ouvi diversos depoimentos na Radio Nacional de España sobre a importância da luta contra a volência de gênero. Uma especialista tratava de caracterizar a violência psicológica – outra forma de violência, como outra qualquer. Dizia que quando o homem começa a demonstrar muito ciúme, humilhar a mulher diante de outras pessoas, vigiá-la quando sai de casa, proibir certos tipos de roupa, etc., embora não seja uma violência física, a vítima deve denunciar o maltrato psicológico.

Lembrei de uma amiga, casada há mais de vinte anos com um homem muito, muito ciumento. Quando ouvi a descrição do maltratador psicológico feita pela especialista, comentei com o meu marido: “ela acaba de descrever fielmente o esposo da minha amiga”.

Tantas vezes conversei com ela para que não se deixasse humilhar dessa forma. Uma moça tão bonita, jovem, inteligente… Por quê agüentar tanto tempo esse sofrimento constante? Para quê? Ela sempre o defende. Diz que estou exagerando, porque ele é um excelente pai e sempre leva dinheiro a casa para manter o nível de vida que eles têm. O pior cego é aquele que não quer ver, não é assim? Pois, em se tratando dessa amiga, está claro que ela não quer ver que existem outras alternativas e que não é preciso suportar nenhum sofrimento evitável.

Que exemplo estará dando essa mãe aos seus filhos? Creio que, agindo dessa forma, as crianças entendem que humilhar as mulheres é algo normal. Não podemos aceitar que isso continue assim. Mas somos nós mesmas, as mulheres, que devemos dar o primeiro passo. Porém, quando lembro da minha amiga e penso na quantidade de mulheres que passam pela mesma situação, penso que ainda estamos a anos luz de distância de conseguir uma verdadeira igualdade baseada no respeito.

Na Espanha existe um número, o 016, que é gratuito e não aparece na conta telefônica, específico para denúncias de violência de gênero. Mesmo assim, durante este ano já foram registrados 61 casos de mulheres assassinadas pelo marido, noivo, namorado ou ex. Pelo menos aqui existe essa alternativa: com uma ligação é possível evitar que a violência chegue ao extremo. Mas ainda falta educação e informação para que as vítimas se reconheçam como vítimas e queiram sair dessa situação.

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