Pedro J. Ramírez se despede do jornal El Mundo

Depois de 25 anos como diretor de El Mundo, um dos principais jornais da Espanha, Pedro J. Ramírez (marido da famosa designer de moda Ágatha Ruiz de la Prada) foi “gentilmente” convidado a abandonar o cargo  na quinta-feira passada, dia 30 de janeiro. Depois de uma longa deliberação, o Conselho Administrativo da Unidad Editorial (editora de El Mundo), entregou a chave do jornal a Casimiro García-Abadillo, que, a partir de agora, deve enfrentar a difícil missão de recuperar a boa imagem do jornal com novas estratégias.

Quem sabe qual foi o verdadeiro motivo dessa mudança tão radical? Todo tipo de especulações ilustram esse momento histórico na vida do jovem El Mundo. Será a linha editorial que estava ajudando a afundar ainda mais o barco da monarquia espanhola? Ou será que alguns governantes se sentiram incómodos pelas contínuas e comprometedoras revelações sobre os últimos casos de corrupção? Até porque político é político em qualquer etapa da história da humanidade. Nos anos 80, embora a ideologia política fosse exatamente o contrário da atual, Pedro J. Ramírez viveu essa mesma experiência quando dirigia o extinto Diario 16. Naquele momento, o jornal denunciou a corrupção generalizada dos antigos governantes espanhóis e a conseqüência foi a mesma: fora Pedro J. Ramírez.

Com a intenção de dar continuidade ao exercício crítico do jornalismo investigativo, Ramírez fundou El Mundo em outubro de 1989, o mesmo que agora o despede (com mais ou menos 20 milhões de euros de indenização) sem dar muitas explicações. A versão oficial é que o meio de comunicação está perdendo leitores, de acordo com o último Estudio General de Medios (EGM), realizado pela Asociación para la Investigación de Medios de Comunicación (AIMC). Mas a experiência mostra que criticar e denunciar as falcatruas do governo (e da monarquia, dependendo do país) é uma tarefa arriscada e, ao mesmo tempo, necessária.

Ninguém disse que ser jornalista de verdade, com garra, coragem e, como se diz aqui na Espanha, “con un par de huevos”, ia ser fácil. Fácil é publicar o que o governo quer. Fácil é deixar que a censura e a auto-censura se proliferem para garantir o pão de cada dia sem pensar nas conseqüências funestas da manipulação e/ou omissão da informação. Fácil é dizer adeus ao diretor de um jornal por ter feito o que deveria fazer durante tantos anos. Alguma semelhança com o Brasil?

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