Estrangeiro em qualquer lugar

VacaBravaGoianiaEm agosto, aproveitando as férias europeias de verão, empreendi viagem às profundezas do Centro-Oeste brasileiro para rever a família e os amigos. Não posso negar que o voo seja cansativo (e bastante caro, diga-se de passagem), mas quando o avião aterrissa nas terras de Pedro Álvares Cabral, todo o esforço começa a valer a pena.

Encontrei uma Goiânia um tanto quanto caótica, com um tráfego típico das notícias de São Paulo, uma prefeitura quebrada e um serial killer em plena atuação. Ao mesmo tempo, encontrei o afago acolhedor da família e aquela sensação de segurança que só a barra da saia materna é capaz de transmitir. Tanto tempo sem experimentar essa sensação faz a gente valorizar ainda mais o carinho dos parentes mais próximos.

Minhas impressões sobre Goiânia são cada vez mais parecidas às de um estrangeiro. Essa que foi minha cidade durante mais de 20 anos continua sendo parte do que eu sou. Claro que sim. Porém, há uma grande parte de mim que não é de lugar nenhum, nem do Brasil, nem da Espanha.

Creio que esse sentimento de ser estrangeiro em qualquer lugar é bastante comum quando a gente mora fora durante um tempo. Imagino que seria difícil me adaptar outra vez à lógica sem lógica de Goiás, tanto quanto seria difícil não poder voltar; não poder resgatar as minhas raízes naqueles momentos em que me pergunto quem sou eu e de onde vim.

MapaCentroOesteNessa viagem, visitei também a minha cidade natal. Jataí já não é o que era. 120 mil habitantes e 70 mil veículos em circulação? Onde já se viu? Quase não pude reconhecê-la e imagino que para ela, da mesma forma, foi difícil me identificar como uma legitima cidadã jataiense. Será porque eu também já não sou o que era.

Uma mistura de alegria intensa por estar outra vez com a minha gente, saudade daquela vidinha tranquila de antes e um olhar perdido no horizonte, sem saber exatamente o quê, como, quando, onde e por quê. Assim foram as duas semanas em Goiás nesse mês de agosto. Balanço? Positivo. Sempre. Claro.

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5 pensamientos en “Estrangeiro em qualquer lugar

  1. Eu a compeendo ,voltar as raízes nos dá uma sensação de felicidade e nostalgia.
    Creio eu que nos sentimos assim porque nenhum momento é igual em nossa vida,mesmo que com as mesmas pessoas e nos mesmos lugares.
    A vida realmente nos prova que não dá para viver e sentir uma estória do passado se o nosso hoje já está repleto de informações novas.
    Seria maravilhoso poder voltar no tempo como fazemos com o ponteiro de um relógio….
    Abraços

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    • Bela reflexão! É isso mesmo. A vida e as pessoas vão mudando, as situações não são as mesmas, nem as cidades, nem os amigos, nem a família… Nós já não somos as mesmas pessoas. Mas isso é viver. Isso é crescer.

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  2. Com certeza… Quando agente mora em outro lugar, que não seja o nosso de origem, nós mudamos completamente… Creio que passamos a enxergar alem do que nós foi proposto quando morávamos em nossa terra natal… adquirimos o conhecimento de que a vida é muito mais do que aquele caminho que costumávamos seguir…
    Outra coisa, o ser humano é por natureza um eterno nômade, fomos feitos para sair vagando por aí e aprendendo com as diferenças dos outros, povos, regiões, pensamentos…e depois voltar para “casa” para passar os novos conhecimentos… Uma grande prova disso está aí, nos já estamos a procura de outros planetas habitáveis, ou até mesmo, a procura de novos conhecimentos por aí pela galáxia. .. Quando viajamos, nossa mente expande… e quando moramos em outro lugar nossa mente aprende novas experiências e quando isso acontece, evoluímos, pois precisamos nos adaptar a novos ares utilizando se do que já sabíamos e do que ainda vamos aprender… Creio eu também, que por tudo isso, nos voltamos e não vemos mais sentido de como as coisas são ou eram antes, pois já estamos evoluídos e passamos daquela fase!!! 🙂

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    • Concordo em gênero, número e grau, Douglas. Obrigada por deixar o seu ponto de vista aqui no blog! É um privilégio poder conhecer diferentes experiências de vida e ver que somos mais parecidos do que imaginamos, em qualquer lugar do mundo. Viajar e conhecer outros costumes e culturas deveria ser uma matéria curricular e obrigatória. Assim, deixaríamos de pensar que umas etnias são melhores que as outras e seríamos capazes de ampliar os horizontes. Isso é vital e muito, muito necessário. Beijos!

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