De “El Cartógrafo” a “Blackbird”: cuentos de una noche de (casi) verano

El pasado fin de semana tuve el placer de disfrutar de dos magníficas obras de teatro. El sábado, en el nuevo Teatro Municipal de Coslada, tuvo lugar la obra El Cartógrafo, redactada y dirigida por Juan Mayorga. El domingo, en el Teatro Pavón Kamikaze, se representó por última vez en Madrid (por lo menos esta temporada), la tragedia contemporánea Blackbird, creada por David Harrower y dirigida por Carlota Ferrer.

Ir al teatro, desgraciadamente, es uno de los ítems más olvidados en mi lista de “cosas que hacer”. Quizá con un fin de semana pleno como el pasado pueda retomar el circuito artístico madrileño, recorriendo sus calles más a menudo y experimentando sus deliciosos escenarios plagados de historias, relatos, ilusión y vivencias.

mapa, cartografo, cartografiaDe la mano de El Cartógrafo, el espectador se traslada a un escenario geográfico, en parte real y en parte imaginado, para descubrir todo lo que revela y esconde un mapa. Un sencillo mapa, aparentemente anodino, lleva la impronta del que lo concibió e informa (o desinforma) según sus intenciones. Varsovia, en el contexto de la Segunda Guerra Mundial y, simultáneamente, en la actualidad. Este es el escenario en el que Blanca Portillo y José Luis García-Pérez van desdibujando la historia para volver a dibujarla como lo haría un cartógrafo que ama su oficio y sabe que sus trazos pueden ser los únicos testigos de la barbarie; los que un día revelen, en verdad, qué pasó. Mientras elige qué quiere hacer visible, el cartógrafo, aunque no lo quiera (o no lo sepa), va tomando partido.

pajaro negro, black birdBlackbird, por su parte, es una obra tremenda, fuerte, contundente y nos recuerda que, como sociedad, aún nos queda mucho que aprender. Irene Escolar y José Luis Torrijo reviven el gran tema tabú que Lolita hizo visible en la gran pantalla y del que todavía nos cuesta hablar. Cuesta creer que siga pasando. Cuesta creer que tanta suciedad pase casi desapercibida ante nuestros ojos cada día. A una niña de doce años no se le puede robar la ilusión de la infancia. A una niña de doce años no se le puede enseñar el lado más perverso del ser humano. Aún no. Es demasiado pronto. Es demasiado sucio. Irene Escolar dijo en una entrevista que, representando a “Una”, llevaba varias noches sin poder dormir. Es una representación, sí, pero sabemos que para muchas “Unas” este es su pan de cada día.

Ambas obras son más que recomendables y han dejado el listón muy alto. Y tú, ¿qué me recomiendas?

Divina loucura ou divina lucidez?

Determinação e fé, além da imensa energia que lhe foi outorgada pelos medíocres e invejosos com as suas duras críticas, são os motores que têm levado o gênio nonagenário espanhol Justo Gallego a dedicar mais da metade da sua vida a construir o seu sonho.

Justo, um agricultor com vocação para monge, alma de Dom Quixote e sem conhecimentos de arquitetura, foi capaz de construir nos arredores de Madrid, “imaginando de noite e construindo de dia”, uma bela catedral com as suas próprias mãos, utilizando uma grande quantidade de materiais reciclados e muita criatividade.

Não perca a oportunidade de ver este vídeo no qual é possível apreciar a beleza e a grandiosidade da obra e escutar as explicações do artista (vídeo em espanhol com legenda em inglês).

¿Divina locura o divina cordura?

Determinación y fe, además de la inmensa energía que le han aportado las críticas de los mediocres y envidiosos, han sido los motores que han llevado al genio nonagenario español Justo Gallego a dedicar más de media vida a construir su sueño.

Justo, un agricultor con vocación de monje, alma de quijote y sin conocimientos de arquitectura, ha sido capaz de construir en los alrededores de Madrid, “imaginando por la noche y construyendo por el día”, una hermosa catedral con sus propias manos, utilizando gran cantidad de materiales reciclados y mucho ingenio.

No pierdas la oportunidad de ver este vídeo en el que se puede apreciar la belleza y magnificencia de la obra mientras escuchas las explicaciones del artista.

Os imperdíveis de Madri (em menos de cinco minutos)

Depois de vários anos morando em Madri, não havia escrito quase nada sobre essa bela e imensa cidade. Diante de tantas belezas e tantos lugares incríveis, fica difícil escolher os principais pontos turísticos para escrever um post sobre os imperdíveis de Madri.

Na semana passada, recebi um link do YouTube que me levou a um vídeo de duas turistas brasileiras que gravaram sua visita a Madri. Grata surpresa! As meninas têm uma capacidade invejável de descrever esse destino turístico, resumindo Madri em menos de cinco minutos.

No vídeo, você poderá conhecer os seguintes lugares:

  • Templo de Debod
  • Mercado de la Cebada
  • El Rastro
  • Centro de Arte Reina Sofía (para uma visita rápida, eu particularmente recomendaria o Museo del Prado)
  • Atocha
  • Parque del Retiro
  • Fuente de la Cibeles
  • Plaza de Toros
  • El Deseo (a produtora do Pedro Almodóvar)
  • Puerta del Sol
  • Plaza Mayor
  • Mercado de San Miguel
  • Palacio Real
  • Plaza de España

Sobre a Plaza de Toros, devo dizer que fiquei muito fã dessas duas turistas quando optaram por incluir a imagem dessa praça devido ao valor monumental do lugar em questão, mas não porque concordem com a triste tradição espanhola de torturar os toros e matá-los diante de uma multidão de fãs desse “esporte” nacional.

A parte gastronômica do vídeo é bastante escassa. Podemos ver as tostas, o merengue, as caracas (que não são um docinho típico espanhol, como dizem no vídeo) e o famoso tinto de verano, uma bebida refrescante de baixo teor alcoólico. As estrelas da gastronomia espanhola ficaram fora do vídeo: paella, tortilla española, jamón ibérico, chorizo, bocadillo de calamares

Vale a pena ver o vídeo. E, claro, vale muito a pena conhecer Madri!

Festas de San Isidro

San Isidro é o padroeiro de Madrid. Bom, da cidade de Madrid, capital da província (como São Paulo, São Paulo). Normalmente as festas são só na capital, mas este ano as prefeituras das demais cidades da província decidiram aderir às comemorações e fizeram uma programação bastante interessante.

Dia 15 de maio, dia de San Isidro, é motivo de muita festa e de resgate cultural para os madrileños. Pela primeira vez, fui a uma “Zarzuela”, uma opereta espanhola, geralmente cômica, baseada em temas culturais da Espanha dos séculos XIX e XX. Super divertido! Fui também a umas apresentações de dança folclórica, com roupas e instrumentos típicos. Uma maravilha! De todas as danças regionais que vi,  Galícia foi a que mais me surpreendeu.

Domingo é dia de “banda no coreto do jardim”. Aqui, no coreto do Parque do Retiro. A orquestra municipal de Madrid tocou durante quase duas horas inúmeras peças folclóricas, representando a cultura de Madrid e da Espanha. O ritmo mais popular, chamado “paso doble”, foi o personagem principal da apresentação.

À meia-noite, para finalizar as comemorações de San Isidro, um show de fogos de artifício coordenados com música. Impressionante!

Tá certo que as leituras para a tese atrasaram um pouco neste fim de semana, mas também merecemos um pouco de cultura e diversão para refrescar a cabeça!

Neve em Madrid!

neve_em_MadridFazia sete anos que não nevava tanto em Madrid. Na verdade, neve no centro da Espanha não é nada comum. Os madrilenos costumam dizer que aqui neva a cada quatro anos e só um ou dois dias durante o inverno (normalmente em janeiro). Em dezembro de 2007, eu, recém chegada à Espanha – tá bom, mais ou menos recém chegada – estava morrendo de frio e todos falavam que o inverno estava muito suave. E eu pensava: “suave? mas como será o inverno típico espanhol?”.

Este janeiro nos trouxe a agradável surpresa de uma boa nevasca de mais de 12 horas. Sexta-feira, dia 9, foi o dia de ver os floquinhos de neve caindo calma e constantemente e provocando um verdadeiro caos nas estradas e rodovias de boa parte da Espanha. Quando as pessoas pegaram seus carros e foram ao trabalho, já estava nevando desde as 5h da manhã e a capa de neve no asfalto chegava a 7cm. Resultado: um engarrafamendo de mais de 390Km.

boneco_de_neveTentei ir à faculdade e acabei desistindo. Depois fiquei sabendo que a facul fechou as portas à 1h da tarde por questões de segurança. A neve não parava de cair, as pessoas não chegavam em seus trabalhos, os alunos não podiam ir às escolas. Imagine que tampouco a polícia, os bombeiros e as ambulâncias podiam chegar aos locais onde havia emergência, ou seja, caos total.

Embora esteja mais que comprovado que a Espanha não está preparada para uma boa nevasca como a do dia 9 de janeiro, fiquei muito feliz por ter podido sair pelas ruas e ver como as pessoas se divertiam fazendo bonecos de neve, tirando foto, as crianças com seus trenós e jogando bolas de neve umas nas outras. O que eu fiz foi entrar nessa também. Aproveitei o quanto pude. Tomara que neve um pouco mais este inverno.